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Para fortalecer a cultura de doação: captação!

Por Fernando Nogueira, diretor executivo da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e integrante do Movimento por uma Cultura de Doação.



fauxels/Pexels
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O Movimento por uma Cultura de Doação (MCD) já alcançou muitas conquistas em sua trajetória. Entre elas, a própria ideia de uma cultura de doação: um conjunto de pensamentos, valores, hábitos e conhecimentos que mostram a importância da doação e da generosidade. Para avançar ainda mais, precisamos jogar luz numa cultura tão relevante quanto: a cultura da captação


 Fortalecer a cultura de doação significa termos mais doadores, cada vez mais conscientes da relevância de sua generosidade. Que doação seja conversa constante, rotineira. Que doar seja fácil! 


Fortalecer a cultura de captação passa por desafios semelhantes. Precisamos de cada vez mais captadores, cientes de sua importância. Captar precisa ser um tema presente em todas as organizações da sociedade civil. E captar precisa ser menos difícil. 


O MCD acumula muitos anos de caminhada e agrupou as prioridades de ação em 5 Diretrizes. A cultura de captação pode ter ambições semelhantes, sistematizando diretrizes e ações prioritárias. Enquanto não chegamos lá, proponho algumas reflexões iniciais:


  • Cultura de captação é para todos, não só para captadores! Captar bem é tarefa de captadores e também de voluntários, ativistas, conselheiros, outros funcionários, parceiros... Todos captam – direta e indiretamente. Uma boa cultura de captação depende da boa vontade e da dedicação de outras áreas, o que nem sempre acontece. Uma pesquisa sobre saúde mental dos captadores mostrou como eles sentem falta de integração com outras áreas e percebem o pouco respaldo da alta gestão.


  • Cultura de captação vai além do dinheiro. Recursos financeiros são importantes, é claro! Mas captamos muito mais do que isso. Mobilizamos voluntários, ativistas, conhecimento, parcerias... Uma cultura de captação forte tem como base a expansão de aliados para nossas causas. Captar mais dinheiro é um dos bons resultados de termos mais parceiros para cumprir nossa missão.


  • Precisamos fortalecer o ecossistema que favorece a captação. É bom reconhecer que existe hoje um ecossistema voltado à captação de recursos. Temos: a ABCR, que recém completou 25 anos de história; consultores e especialistas em captação; fornecedores e startups com ferramentas para viabilizar a captação e (poucos) financiadores atentos à importância de investir em captação e desenvolvimento institucional. Mas é preciso avançar, crescer e amadurecer o campo e seus atores. 


  • Precisamos de mais dados e pesquisas. Faltam muitas informações relevantes: quanto as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) captam? De que fontes? Quais são as principais técnicas e ferramentas de captação? Quanto se investe em captação? Sobram estudos de casos isolados e surveys de amostras pequenas e não-representativas. Faltam pesquisas robustas e séries históricas que permitam a comparação e a análise de tendências. Falta embasar nossas aulas e cursos de captação em mais evidências científicas e dados de qualidade. 


Finalmente, precisamos lembrar que um dos principais motivos para doar é porque alguém pediu! Os dois comportamentos estão intimamente ligados. Doar tem um componente espontâneo relevante, mas na maioria das vezes tomamos a decisão final de doar porque alguém fez um pedido. Essa solicitação representa a oportunidade de fazermos nossa doação. 

 Às vezes a captação é vista como um mal necessário para a sobrevivência das OSCs. Não precisa ser assim: captação precisa ser valorizada como atividade fundamental do setor social. É o meio pelo qual expandimos nossos aliados e apoiadores de nossa causa, viabilizando nossa ação e impacto. 

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Produzido pela equipe do Movimento por uma Cultura de Doação 2024

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